quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tourada volta ao Campo Pequeno... JR Telles Jr. em Entrevista


Entrevista ao mais novo Cavaleiro tauromático em Portugal, João Ribeiro Telles Jr. (versão Lusitânia Insólita. O CM tem uma outra versão aqui).


L.I. – Recebe a alternativa hoje no Campo Pequeno das mãos do seu pai. Trata-se de um manifesto caso de vocação familiar?
J.R. Telles Jr. – Sim, sim. Ele foi ele que me distorceu o cérebro para eu gostar de ver toiros a sangrar; sem ele, se calhar, nem sequer pensava em ser toureiro. Talvez tocasse piano, mas o pai achava que era pouco macho e pôs-me a montar com 2 anos.
L.I. – Mas sente uma verdadeira vocação?
– Claro, claro. Seguindo a tradição machista da família comecei a espetar garfos em galinhas ainda com 5 anos, com 10 já espetava o atiçador da lareira nos cães. Mas um toiro sangra mais, dá mais prazer.
L.I. – Que dificuldades enfrentou para chegar à alternativa?
J.R. Telles Jr.– A cor das casacas, não encontrava nada que me ficasse bem. Um homem tem de parecer bem quando está a esburacar o lombo do toiro. O público quer ver virilidade, não é? Às vezes acontece o público não gostar, não tenho salpicos de sangue suficientes na roupa, mas na nossa profissão temos de dar a cara e seguir em frente.
L.I. – Ser toureiro em Portugal ainda dá dinheiro?
J.R. Telles Jr.– Bem, as coisas complicaram-se um bocado quando Lisboa se tornou uma cidade evoluída e cosmopolita e se acabou com a tourada no Campo Pequeno. Quer dizer, andava tudo assim para o intelectual mariconço. Mas agora já estamos a ficar retrógados de novo o que é bom. Já se paga bem para ver espetar ferros em bichos. É como outra profissão qualquer.
L.I. – Que perspectivas tem relativamente ao futuro do espectáculo taurino?
J.R Telles Jr. – É uma tradição que já conta com tantos anos que nunca vai acabar, é como a ignorância e a pequenês de espírito. Temos de ter orgulho naquilo que nos define. E os que se erguem contra a festa, não são homens, não é? Têm uma expressão tão mínima que nos dão ainda mais força. E a prova é que todas as semanas o Campo Pequeno está cheio.
L.I. – Um cavaleiro português pode prescindir de actuar em Espanha para se afirmar?
J.R. Telles Jr. – O toureio é universal, felizmente continua a haver homens a sério em todo o lado. Isso do Gandhi e da dignidade dos animais é tudo uma cabala dos mariconços e das mulheres que não têm um homem macho em casa para lhes dar sexo e coisas para fazer. Já o meu pai me dizia isso quando me punha no cavalo aos 2 anos. O meu avô também dizia e os meus tios e o bisavô e as mulheres da família concordaram sempre com eles. Somos uma família tradicional portuguesa.

1 comentário:

Mónica disse...

fala bem o rapz, hehe.

Parabéns Joao!